Alfred Jarry
(1873-1907) formulou as suas teorias sobre o teatro em textos cujos os títulos
e conteúdos eram deliberadamente provocadores. O teatro deve ser simples e
mesmo rudimentar, os cenários e as intrigas serão o mais sóbrio possível para
permitir a propagação de um teatro do absurdo.
Criando um personagem que anuncia as figuras do ditador, tal como encontramos
em Brecht (Arturo Ubi), Jarry utiliza uma linguagem bizarra e desconcertante,
mistura de linguagem meio-letrada, meio-vulgar, deforma à-vontade as palavras,
é percursor das rupturas cénicas que serão instituídas por Antonin Artaud, os
escândalos surrealistas e a intervenção política da literatura, característica
da segunda metade do nosso século.
A sua obra de referência: “UBU ROI”. Ubu é um pequeno burguês, funcionário ao
serviço do Rei da Polónia. Sob a pressão da sua mulher ambiciosa ele decide
matar o Rei para ocupar o seu lugar. Piscar de olho a Macbeth. Mas Ubu é covarde
e mal-criado. Uma vez no trono, revela-se cruel, estúpido, e o seu pensamento
político é absurdo.
Ele transforma-se de pequeno burguês a tirano sanguinário, mas não é desprovido
de um singular grão de razão, proferindo verdades inquietantes, como verdade
saindo da boca de uma criança.