RELATOS DOS ATORES

Como você compreende o processo de criação das personagens de Ubu rei? Quais as etapas que o grupo realizou até aqui??
Os primeiros encontros foram mais uma espécie de "envolvimento grupal". Pois como estávamos de férias, precisávamos de algo que nos situasse na disciplina. Foi com os jogos, descritos pela nossa companheira Thayná, que o professor paulo nos despertou para os compromissos do semestre, quer dizer ,do ano inteiro, que teríamos pela frente. Nestes jogos, cada um percebeu que não seria uma tarefa fácil trabalhar com a "família ubu", pois cada personagem possui uma psicologização distinta, que acaba por imprimir um corpo singular. Está sendo muito interessante trabalhar com as modificações corporais que cada personagem requer. Durante as passagens das cenas, temos duas tarefas: puxar da memória o texto e o corpo animalesco para a representação. Penso que o professor Paulo caminha num único sentido: desestruturar o corpo cotidiano (nosso), para reconstruir um corpo extra-cotidiano (personagem). É um trabalho onde o "individual" não existe, uma vez que os personagens se completam, sejam nas ações, nos gestos, nos trejeitos e até mesmo na própria fala. É um trabalho totalmente "coletivo".
Relato do acadêmico Márcio Cardoso

Relato da acadêmica Rachel Chula falando do início do trabalho em sala:
Começamos fazendo uma leitura do texto. Nas aulas seguintes trabalhamos o corpo com exercícios de alongamento, coordenação, ritmo, força e de integração e unificação dos atores. Para a criação dos corpos dos personagens trabalhamos com a referência de corpos de animais, buscamos as semelhanças e diferenças dos nossos corpos com estes corpos animalescos. Pesquisando o que cada um achava que o personagem parecia ser, e desta forma do chegamos aos corpos que agora trabalhamos.

Relato da acadêmica Thayná Rodrigues, em relação ao processo de criação das personagens:

"O processo de criação das personagens eu compreendo da seguinte forma:nos primeiros dias de aula dizíamos o texto e o Paulo amarrava nossos braços ou pernas com a fita crepe. Nós estudávamos as intenções das personagens do texto. Logo, arriscamo-nos à posturas corporais para lembrar das falas, os "códigos". Usamos os bastões para isso: ao dizer as falas nós escolhíamos a posição de ataque, defesa ou indiferença. A meu ver, este era um tipo de aquecimento até chegar nos corpos que viste. Para chegar nestas posturas corporais o Paulo nos propôs exercícios de um faz e os outros imitam o movimento, até o momento em que ele nos pediu para imitar um animal, mas em pé. Ele nos pergunou: "Que animal vc acha que é o Pai-Ubu?" e cada um, individualmente falava e mostrava o corpo. O Marcinho e a Marina Castro falaram "Urubu" e como achamos o corpo da Marina Castro interessane para a correspondência deste animal, ficou como "Pai-Ubu". Então, o processo de criação dos corpos se basearia em "animais humanizados". A mãe Ubu também, mas com o bumbum para trás. O "Bordadura" é um "galo"; o "Bugrelau" um "macaco", o Rei Venceslau um "pombo", e a rainha seria uma extensão deste rei em versão feminina. As vozes foram semelhantes. Nós fomos estimulados a fazer exercício com sons: "faz um movimento e um som", e, ao enunciar uma frase tentávamos utilizar uma voz caricata, até encontrarmos uma que o grupo concordasse, junto ao Paulo, ser a adequada para a personagem. Ou seja, através das individualidades e criatividades, reconheciamo-mos e construíamos algo em grupo, não de modo competitivo, mas de sincero companheirismo, é assim que vejo."