sexta-feira, 4 de maio de 2012

O pensamento de Alfred Jarry para Ubu Rei



Alfred Jarry (1873-1907) formulou as suas teorias sobre o teatro em textos cujos os títulos e conteúdos eram deliberadamente provocadores. O teatro deve ser simples e mesmo rudimentar, os cenários e as intrigas serão o mais sóbrio possível para permitir a propagação de um teatro do absurdo.
Criando um personagem que anuncia as figuras do ditador, tal como encontramos em Brecht (Arturo Ubi), Jarry utiliza uma linguagem bizarra e desconcertante, mistura de linguagem meio-letrada, meio-vulgar, deforma à-vontade as palavras, é percursor das rupturas cénicas que serão instituídas por Antonin Artaud, os escândalos surrealistas e a intervenção política da literatura, característica da segunda metade do nosso século.
A sua obra de referência: “UBU ROI”. Ubu é um pequeno burguês, funcionário ao serviço do Rei da Polónia. Sob a pressão da sua mulher ambiciosa ele decide matar o Rei para ocupar o seu lugar. Piscar de olho a Macbeth. Mas Ubu é covarde e mal-criado. Uma vez no trono, revela-se cruel, estúpido, e o seu pensamento político é absurdo.
Ele transforma-se de pequeno burguês a tirano sanguinário, mas não é desprovido de um singular grão de razão, proferindo verdades inquietantes, como verdade saindo da boca de uma criança.

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